Decoração de Ambientes Institucionais: Copa do Mundo

Na madrugada do dia 11 de Junho, participei como assistente no processo de montagem da decoração temática nos escritórios do canal a cabo Sport TV da Globosat – Escritórios de produção, criação e edição.

O projeto foi assinado e coordenado pela cenógrafa Natalia Lana, que contou com o auxílio de seis assistentes para concluir o projeto no prazo exigido pelo cliente.

Iniciativas de endomarketing que envolvem a decoração de ambientes institucionais são cada vez mais comuns em pequenas e médias empresas, principalmente em épocas de grandes festas e eventos como a Copa do Mundo.

NARIZ! . Guilherme Delgado

DEMANDAS

A idéia inicial sugerida por Guilherme Delgado (Diretor) era criar um espaço genérico, sem forma concreta ou indicações de espaços, para que pudesse de alguma maneira seguir a construção do texto original. Surgiria então o primeiro problema: Quando se analisa o cenário original de “Nariz” pensa-se em uma adaptação onde diversos planos deveriam ser criados, o que seria um transtorno para transportar do cenário, enquadrar no espaço disponibilizado pelo teatro e é claro, os custos bem acima do esperado.

Outra opção seria a construção de um cenário que pudesse se transformar ao longo da peça. Tal opção daria oportunidade de criar diversos ambientes em meio à cena e reduzia bastante às despesas.

FORMA E CONTEÚDO

Depois das primeiras reuniões, começamos a traçar os primeiros esboços para o cenário, sempre atento nas diretrizes do Guilherme, como também nos primeiros passos da equipe de indumentária.

Pesquisamos diferentes elementos estéticos que remetessem a imagem de um nariz, valorizando curvas e retas do formato triangular convencional, até possibilidades surreais que traduzissem a anatomia das fossas nasais.

O grande momento da criação deste cenário se deu por conta das influencias e impressões causadas durante a nossa visita a exposição “Virada Russa” que na época estava montada no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil). “Nariz” é um conto que se passa em São Petersburgo na virada do século XIX para o século XX.  A exposição seria fundamental para a conclusão dos primeiros croquis. O cenário tomou a forma de um rosto cubista.

Além disso, descobrimos um blog com um banco de imagem de lugares e objetos que em seu conjunto criavam diversas formas básicas de rostos. Tal site auxiliou no processo criativo.

MATÉRIA PRIMA

Além do grande nariz que seria uma escada de madeira (criando uma enorme possibilidade de planos – em cada nível de degraus e formas de se trabalhar o espaço), usamos carretéis de madeira para ilustrar uma enorme boca (que também poderiam ser trabalhados e espalhados pelo espaço, sendo usados como cadeiras, mesas banco e plataformas) e os olhos do cenário, que particularmente foi uma grande descoberta, meu primeiro contato com um material plástico rígido, o poliestireno. Queríamos que os olhos fossem enormes vitrais, semelhante aos das igrejas e para isso, fizemos uma aplicação de adesivo transparente impresso.

Assim como o figurino, o cenário era bem sóbrio e escuro para dar a grande quebra do texto, por tratar um assunto absurdo de forma séria e satírica.

PORTFÓLIO DA PEÇA

FICHA TÉCNICA

“Nariz!” -de Nikolai Gogol

Direção: Guilherme Delgado
Orientação de Direção: Adriana Schneider
Elenco: Luiz Paulo Barreto, Sergio Somene e Theo Fellows
Iluminação: Daniel Archangelo, Duanny Dantas e Ricardo Libertini
Cenário: Vinícius Lugon
Orientação de Cenário:
Natália Lana
Assistência de Cenário: Juliana Ribeiro e Akemi Hirose
Figurino: Alessandra de Oliveira, Bárbara Friaça e Leana Sá
Orientação de Figurino: Madson de Oliveira
Produção: Daniel Archangelo, Duanny Dantas
Agradecimentos: aos narizes de Antonio Guedes, Flávio Tristão, Gleise Nana, Gustavo Henrique, Mércia, Sérgio e Peçanha.
Sinopse: A sociedade é um corpo. Cada parte tem seu lugar e sua função. Um dia, o nariz do major Kovalióv se solta de seu rosto.

A BOA . Olívia Zisman

DEMANDAS

Recebemos o texto com indicações bem concretas dos três espaços a serem trabalhados: a rua, a casa da personagem Verônica e o escritório da corporação. Com dois personagens em cena o tempo inteiro, seria necessário o uso de contra-regras para sutis trocas de cenário, o que era de agrado da diretora. Além disso, o cenário deveria ser basicamente ser feito de materiais reutilizados em harmonia com um painel feito de grafite ilustrando prédios anexado no plano de fundo, criando um ambiente fechado reforçando a idéia de claustrofobia  para um dos protagonistas.

FORMA E CONTEÚDO

Cena 01 – A Rua
A ideia inicial surgiu com a elaboração do primeiro croqui: Dois grandes prédios feitos de andaimes, dando espaço para que entre eles acontecessem as cenas. No papel já conseguíamos ter uma noção de “moldura” para as cenas e para os cenários secundários.

Não tivemos dificuldades em concluir a primeira cena, já que como precisávamos ilustrar a miséria usamos poucos objetos cênicos. A cena deveria ter em sua totalidade apenas duas coisas: o vazio e o protagonista, que no caso era o mendigo. Usamos luzes claras para mostrar a sujeira criada para este cenário.

Cena 02 – A casa da personagem Verônica

A segunda cena já se iniciava com a entrada dos contra regras vestidos de preto e em movimento, dando a idéia de transeuntes. Eles trazem consigo o abajur e a chase, mas não deixam de se movimentar até que o final da transição de cenas aconteça.
Usamos então o tom avermelhado na luz para recriar um ambiente de aconchego do lar. Trabalhamos todas as cenas de forma bem simbólica.

Cena 03 – Escritório da Corporação
Todo o diferencial dessa cena focou-se na criação de uma mesa (de escritório) com um compartimento no meio do tampo para que alojássemos uma fonte de luz negra (protegida por uma grade).  No inicio da cena, todas as luzes são apagadas e mais uma vez temos o envolvimento de dois contra-regras. Como estão vestidos de pretos quase não são percebidos pela platéia. Usam luvas brancas que se tornam fluorescente quando próximas da luz negra. A cena mostra de maneira metafórica, mas muito clara, a protagonista sendo manipulada pelas mãos do homem.

MATÉRIA PRIMA

Contei com a ajuda de duas amigas cenógrafas (Ana Carolina Silva e Bárbara Friaça), que assinaram a peça comigo.  Nosso primeiro passo foi coletar todo material de informática reciclado ou que já estavam nos lixos. Tentamos encontrar utilidade para tudo o que arrecadamos, tal como os teclados que em conjunto se tornaram a mesa do escritório (cena 03) e os monitores que se tornaram as “janelas dos prédios” (andaime). Tudo isso gerava a ideia de “mundo mecânico” e “perda da humanidade”

Por outro lado, a cena na casa de Verônica (Cena 02) deveria fugir dessa temática, por isso a construção do sofá estilo chase, para quebrar com o frio das placas e fios.  Da mesma forma que os demais móveis da peça, o chase também foi feito de materiais reutilizados: um banco velho de madeira, espuma, canos e o couro falso se juntam e viram um ícone muito forte na peça.

PORTFÓLIO DA PEÇA

FICHA TÉCNICA
“A Boa” – de Aimar Labaki
Direção: Olívia Zisman
Orientação de Direção: Marina Vianna
Assistência de Direção: Renan Guedes
Elenco: Luiz Paulo Barreto e Raphaela Tafuri
Cenografia: Ana Carolina Silva, Bárbara Friaça e Vinícius Lugon
Orientação de Cenografia: Natália Lana
Assistentes de Cenografia: Juliana Ribeiro, Danilo Rodriguez e Akemi Hirose
Figurinos: Alessandra de Oliveira e Leana Sá
Orientação de Figurino: Michele Augusto
Trilha Sonora: Olívia Zisman
Arte Gráfica: Felipe Duarte                      Iluminação:Amanda Doria, Pedro Pedruzzi e Nina Baldi
Sinopse: Ricardo largou sua promissora carreira de jornalista e desapareceu, decidido a viver na rua. Verônica, a caminho da igreja, reconhece o antigo colega, mendigo. Insiste em “ajudá-lo” a se recompor. Um simples gesto de caridade se torna um trágico pesadelo na vida dos dois. O humor ácido, o drama psicológico e momentos simbólicos se misturam em uma trama que discute valores morais e religiosos distorcidos pelo contexto social.

“A Boa”- no Museu da Nacional – Quinta da Boa Vista.

Dia: 15 de Agosto de 2009 – 15h

A Boa”- no Sesc Tijuca – RJ – 3º mostra universitária CEAE (centro de estudo artístico experimental).
Dia: 16 de Agosto de 2009 – 19h

A Boa”- no Teatro Odisséia – Projeto ECOAR – I Mostra de teatro reciclagem cantão.
Dia: 28 de Agosto de 2009 – 19h

CHÁ GELADO DAS CINCO . Gustavo Henrique

DEMANDAS

A peça de João do Rio faz um recorte dos hábitos e costumes do começo do século XX, os chás da tarde que faziam sucesso na França e Inglaterra, já tinham seu espaço por aqui, mas nesse período foram entrando nas pequenas reuniões e saraus dos modos das grandes casas. O diretor sugeriu a idéia do espaço multiuso, em que a platéia sentaria e degustaria da peça, participando do grande chá da Donna Maria. Experimentar o Ice Tea e provar das torradas e biscoitos. O público encorpa a massa de convidados da anfitriã da peça e faz essa festa que preza pelo glamour e a aparência. A peça brinca com esse clima de fofoca e falsas aparências das pessoas e suas atitudes.

FORMA E CONTEÚDO

Seguindo essa linha, fomos para um falso cenário chique, do lustre aos panos das mesas, tudo veio de material reutilizado, mas com um tratamento de luxo. O brilho dos cristais e falsos copos e taças dão o toque final. Focamos em um espaço limpo e neutro, pois as pessoas e seus movimentos nesse espaço que dão o grande tom da peça.

MATÉRIA PRIMA

O piano e as mesas, foram todas feitas de divisórias que não eram mais utilizadas e iriam para o lixo do museu da Quinta da Boa vista. O piano é uma caixa vazia, onde embutimos um teclado elétrico. O lustra do teto, foi feito com três sombrinhas enferrujadas, que pintamos e demos acabamento com cristais de acrílico. As flores de tecido e os panos das mesas forma feitos de retalhos e sobras de outros trabalhos, que fomos garimpando. Aparentemente o cenário dava a forma de algo além do que parecia ser. A essência da peça em fim tinha sido alcançada.

PORTIFÓLIO DA PEÇA

FICHA TÉCNICA

Chá (Gelado!) das cinco – de João do Rio.

Direção: Gustavo Henrique

Elenco: Alecssandre Queiroz, Bianca Vaitsman, Dudu Fádel, Guto Urbieta, Jackie Netzach, Jordana Shelly, Luciana Barbosa, Patrícia Teles, Ricardo Leite Lopes, Rosa Felix eTheo Fellows.

Piano: Roberto Monteiro Salles.

Cenário: Vinícius Lugon, Jackie Netzach e Jordana Shelly.

Figurino: Alessandra de Oliveira e Bárbara Boaventura Friaça.

Assistente de figurino: Leana da Silva

Iluminação: Joana Mendes, Luiz Paulo Barreto e Ramón Sampaio

Produção: Clécia Reis Oliveira

Orientação: José Henrique

Datas: 05, 06 e 07 de Dezembro de 2008, às 20 horas.

Local: Na Sala Oduvaldo Vianna Filho, Escola de Comunicação, Campus UFRJ – Praia Vermelha. Av. Pasteur 250, Urca.

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